Neurocirurgião vascular destaca o principal fator de risco para o AVC

O neurocirurgião vascular Victor Hugo Espíndola Ala explica de que forma esse fator de risco favorece o desenvolvimento do acidente vascular cerebral.
O acidente vascular cerebral (AVC), uma das maiores causas de morte e incapacidade no Brasil, ocorre quando o fluxo de sangue é interrompido em determinada região do cérebro, provocando danos às células nervosas. Segundo artigo da Revista Brasileira de Implantologia e Ciências da Saúde, mais de 174 mil mortes pela doença foram registradas no país entre 2019 e 2023.
Entre os diversos fatores que contribuem para o AVC, o neurocirurgião vascular Victor Hugo Espíndola Ala aponta a hipertensão arterial como o mais preocupante. “A pressão alta faz o sangue atingir as paredes dos vasos com maior força, enfraquecendo essas estruturas ao longo dos anos”, afirma. Ele ressalta que os vasos cerebrais são particularmente sensíveis, o que intensifica os efeitos da pressão elevada.
O especialista explica que esse enfraquecimento pode levar ao rompimento de um vaso sanguíneo, resultando em um AVC hemorrágico. “Esse tipo costuma ser muito grave. E mesmo quando o vaso não rompe, a hipertensão provoca microlesões contínuas que aumentam o risco de obstruções futuras, gerando o AVC isquêmico”, completa.
Victor Hugo também destaca que a hipertensão costuma ser “silenciosa”, o que agrava o problema. “Muitas pessoas só descobrem quando já existe alguma complicação. Monitorar a pressão com regularidade e manter o tratamento adequado está entre as medidas mais importantes na neurologia”, enfatiza o especialista em AVC e doenças vasculares cerebrais.
Ele reforça ainda que a prevenção depende da conscientização: “Se a população tratasse a hipertensão com a seriedade necessária, evitaríamos grande parte dos casos de AVC atendidos diariamente nos hospitais”. Em 2023, a Organização Mundial do AVC estimou que o número de mortes decorrentes da doença no mundo pode crescer 50% até 2050, chegando a quase 10 milhões de óbitos.



